domingo, 5 de maio de 2013

Filme: O Preço do Amanhã


Hoje trago uma dica legal: o filme O Preço do Amanhã.
Ou, em inglês, In Time = Em Tempo (acho esse nome mais legal, btw) é um filme distópico de 2011 que teve pouca visibilidade (até onde eu sei).
É uma distopia futurista, porém diferente das outras em um aspecto: o ponto central aqui não é o sistema governamental. Aparentemente, não há um ditadura. Está mais para um Robin Hood moderno.

Aqui tempo é dinheiro! Literalmente!!!
É até meio confuso de entender no início, mas dá pra ir se acostumando com a ideia desse sistema ao longo do filme. E vou explicar o sistema porque isso é dito logo no início do filme e não considero um spoiler. Pelo contrário, vai ser até útil para entender as primeiras cenas logo de cara.

Num futuro que não me pareceu muito distante a humanidade descobriu a chave da imortalidade. Porém, entretanto, contudo... nem todos podem ser imortais, só os milionários. Neste futuro temos um sistema cruel que usa uma justificativa em comum com a de Jogos Vorazes: Esperança.

Além de descobrir como viver para sempre, também descobriram como não envelhecer. Então, todos são geneticamente modificados para parar de envelhecer aos 25 anos.
Imagine ter 25 anos (fisicamente) pelo resto da vida?
Sei que muita gente vibraria se isso fosse possível, até que note como isso pode ser perturbador. Imagine olhar para uma família e não conseguir distinguir os mais velhos dos mais novos, quem são os avós, os pais e os filhos.

Todos tem um grande relógio digital implantado na pele do braço esquerdo que mostra quanto tempo a pessoa tem de vida. Esse relógio só passará a funcionar quando você fizer 25 anos. Isso significa que só então você passará a poder gastar seu tempo como moeda e também significa que você nunca mais envelhecerá. Embora uma pessoa possa viver muitas eras, é possível morrer das causas comuns - excluindo doenças - como: tiros, afogamento, overdose, etc... Portanto, é melhor ser bastante cauteloso se não quiser desperdiçar seu tempo em uma morte estúpida.

O problema é que você tem que pagar suas contas com seu tempo de vida.

Por exemplo:

Para fazer uma ligação no orelhão (que sim, ainda existe), você pagará 1 minuto.
Para uma viagem de ônibus: você pagará 2 horas e você vai pensar bem se vale a pena, já que você gastaria as mesmas 2h pra ir a pé... então, ir de ônibus pode sair mais caro, porque você vai pagar 2h para o motorista, fora o tempo gasto na viagem em si. E se você só tem um dia de vida, cada segundo é crucial.
Para uma refeição em um restaurante chique: você pagará algumas semanas.
Para o pedágio, dependendo da zona: você pagará alguns meses.
Para comprar um carro: 59 anos + impostos.

E se o seu tempo zerar: você morre!!!

Só que há um problema: se ninguém mais envelhece, o corpo não se deteriora mais, todo mundo pode viver pra sempre e crianças continuam nascendo... como haveria lugar para todos?
Esse sistema existe porque "para que alguns possam viver eternamente, muitos tem que morrer" (sim, frase do filme). Afinal, pensa bem: se todos forem eternos não existirá lugar para todos, já que novas pessoas nascem todos os dias.

Por isso foram criadas as zonas temporais.
Quanto mais afastada a zona, mais pobre a população, maior a inflação DIÁRIA (coisa que já experimentamos no Brasil). De modo que a grande maioria das pessoas comuns tem apenas 1 dia no relógio.
Obviamente os salários também são pagos com tempo de vida, assim você pode se recarregar no pagamento. Ainda assim, a maioria vive de empréstimos com juros de 30%, ou penhora de bens pessoais ou doações que nem sempre estão disponíveis... enfim... literalmente vivem um dia de cada vez, sempre endividados, fazendo qualquer coisa por um tempinho a mais.
É comum encontrar corpos espalhados pelas ruas, de pessoas cujo tempo zerou.
Há também ladrões de tempo e lutadores de queda de braço, pois o tempo pode ser transferido de uma pessoa para outra, segurando no braço contrário ao que o relógio está embutido (o direito).

Enquanto isso...
Nas zonas ricas as pessoas tem eras inteiras e vivem sem se preocupar em olhar para o próprio braço. Com frequência são vistos com roupas de manga comprida e as mulheres com luvas para não deixar o relógio visível.


Se você parar pra pensar bem, não é tão diferente assim do nosso próprio sistema. Quantas vezes não dizemos que o luxo que certas celebridades tem e desperdiçam em um dia não conseguiríamos pagar nem com 1 ano ou 10 anos de trabalho?

Há também uma espécie de aparelho capaz de armazenar tempo. É a forma como tempo é armazenado dentro dos bancos e também como os pagamentos são feitos em todos os estabelecimentos.

A trama começa quando um homem muito rico, com mais de 100 anos, está cansado da vida e resolve gastar tudo o que tem ou até se arriscar a ser roubado, na zona temporal mais pobre. Quando a Gangue do Tempo invade o local onde eles estão, Will (Justin Timberlake) o salva. O homem, entretanto, decidido a cometer suicídio, doa todo seu tempo a Will, enquanto ele dormia.
O grande problema é que nenhuma câmera registrou o ato, já que eles estavam escondidos, e para a polícia - os Guardiões do Tempo - Will é um ladrão e assassino.


Não contarei o que mais acontece para não estragar sua surpresa.
Sendo o protagonista Justin Timberlake, pode ter certeza que o filme tem a 'assinatura' dele. Ou seja, pode esperar por perseguições, tiroteios, uma mocinha não tão indefesa e uma vida de delitos.

Uma curiosidade do filme é que apesar do tema ser distopia e futurismo, o design é totalmente retrô, com carros que remetem aos anos 50, 60 e 70.
As roupas são bem comuns e as construções também. Não há nenhuma extravagância visual, nem mesmo na maquiagem (como acontece em Jogos Vorazes no distrito rico).

O filme é muito bom e traz uma reflexão sobre um fenômeno que já vivemos: com cada vez mais a ciência nos proporcionando mais tempo e mais qualidade de vida e com cada vez mais crianças nascendo... a Terra está se tornando superpopulosa. Como conseguir lugar para todos e, principalmente, como garantir conforto para todos se não há espaço suficiente (sem destruir a natureza)?




O elenco é outro ponto positivo: Olivia Wilde, Amanda Seyfried, Cillian Murphy, Justin Timberlake, Johnny Galecki (O Leonard de TBBT).

2 comentários:

A escritora sonhadora disse...

Gostei disso. Vou ver se consigo encontrar o filme. Eu não assisti, nem li ainda Jogos Vorazes, mas tenho uma ideia de como é. Gostei da resenha sobre o filme, parece ser bom e com bons atores.

Beijoos!

Anônimo disse...

Já assisti esse filme e amei. Tem toda a razão é um filme bastante reflexivo e vale a pena ver.

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